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  10/07/2008 - 19h30
  :: Vela: seu mercado e suas lições de negócio


          Economicamente, o Brasil tem atravessado por mares mais calmos. Consolidado entre os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), países emergentes com maior fôlego para crescimento, o País assiste à valorização do real frente ao dólar, o que permite o aquecimento do mercado de bens de consumo com base de preço na moeda americana. O mercado de luxo brasileiro seguiu a mesma tendência e teve um crescimento próximo a 6% no ano passado, resultado que deve se repetir em 2008, com quase 200 empresas do segmento incrementando sua comercialização e fortalecendo suas imagens. Nos últimos seis anos, os investimentos dos brasileiros com mais de US$ 1 milhão aumentaram a um ritmo anual médio de 22,4%. Os dados são do The Boston Consulting Group (BCG). Isso significou, ano passado, 60 mil novos milionários brasileiros. Este bom momento se reflete, naturalmente, no segmento da vela brasileiro. Hoje, no Brasil, existem mais de 250 marinas e clubes náuticos, que operam com cerca de 520 mil embarcações A previsão para a venda de embarcações no País fala num acréscimo de 25% em relação ao ano anterior, com estimativa de investimentos em torno de R$ 70 milhões.
       
       Esta tendência já é realidade na Europa, onde a vela é o terceiro esporte que mais atrai investimentos de empresas públicas e privadas (perde para futebol e automobilismo), segundo apontamento feito pela UK’s International Marketing Reports, que analisou 2 mil patrocínios esportivos para a realização da pesquisa. Esta relação implica resultados expressivos em competições européias e internacionais de nível profissional, como o Rolex Fastnet Race, Maxi Yacht Rolex Cup e o Rolex Swan Cup. Para o mercado esportivo mundial, de acordo com outro levantamento, realizado pela Princewaterhouse Coopers, a expectativa é de que a receita total para o setor tenha um incremento de 37%, nos próximos cinco anos, o que significam R$ 226 bilhões injetados na economia. Em 2007, a maior e mais prestigiada regata da América Latina, realizada anualmente em Ilhabela, litoral norte de São Paulo, passou a se chamar Rolex Ilhabela Sailing Week. A Rolex está presente nas mais importantes regatas ao redor do mundo.
       
       A chegada da parceira suíça elevou o nível técnico do evento: o crescimento do interesse internacional fez com que chegassem à capital brasileira da vela competidores de diferentes países da América do Sul, como Uruguai, Chile e Argentina, que também levaram seus barcos modernos e competitivos.
       
       A vitrine que este universo produz para si, atraindo a atenção estrangeira e incrementanado sua qualidade técnica, torna-se um chamariz ainda mais forte para que novas empresas apoiem o segmento, resultando em desenvolvimento cíclico e perenidade para a atividade.
       
       Este cenário vem proporcionando um aumento no número de praticantes de vela. Empresários que buscam novos desafios e contato com a natureza têm aderido ao esporte com cada vez maior freqüência e paixão. Antes de ser uma atividade isolada, contudo, velejar se confunde com o mundo empresarial. Em ambos, há a busca pelo diferencial, pela competição, pelo trabalho em equipe, pelo treinamento e pela liderança. Não raro, os aprendizados das águas servem para o cotidiano no mundo dos negócios.
       
       As lições da vela
       
       Velejar é motivo de inspiração para o professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) Cláudio Bonome. Durante uma regata da qual participava, na Rolex Ilhabela Sailing Week, uma situação serviu-lhe como exemplo: houve um comando não passado com clareza para a tripulação. Essa falha na comunicação gerou um breve conflito na operação da manobra, o que resultou em perda de tempo, conta o ex-diretor financeiro da maior construtora do Brasil. Ou seja: situação que demonstra como é importante assegurar que o que se falou foi compreendido; se não houver clareza no anúncio do comando, a execução estará comprometida, explica Bonome, que adiantou estar preparando o exemplo para usar em sala de aula.
       
       Longe das salas de aula mas com aplicações tão importantes quanto, as lições da vela servem também como suporte no mundo dos grandes negócios. Eduardo Souza Ramos, executivo da Mitsubishi Motors, comandante do barco Mitsubishi e importante personagem na história da Rolex Ilhabela Sailing Week, também tem seus exemplos: Claro que velejar é um esporte, mas você pode fazer uma analogia com a empresa. No barco você também tem que estar concentrado o tempo todo, ter uma equipe entrosada, onde cada um conheça e exerça sua função. Muitas vezes você tem de ficar atento aos adversários, ver para onde eles estão indo e analisar suas decisões. Durante as regatas nós temos de tomar decisões rápidas, com base na leitura dos dados que você vê ou que sua equipe está passando. A diferença é que, quando você está velejando, o escritório é muito mais bonito, compara o empresário.
       
       Um exemplo de sucesso alcançado pela fusão entre os mundos empresarial e náutico é o de Marcos Ferrari, velejador profissional na disputa do título da Rolex Ilhabela Sailing Week. Ferrari é comandante do Handycam, embarcação vencedora da primeira regata da competição. Com uma equipe de velejadores profissionais, Ferrari montou o projeto para que o Handycam se tornasse um sucesso esportivo dentro das raias e um sucesso de marketing para seu patrocinador.
       
       Para atingir este objetivo, Ferrari buscou subsídios para um investimento de cerca de US$ 500 mil no barco mais sua manutenção. Além do valor do barco, uma equipe competitiva precisa de diversos jogos de vela. Uma vela mestra de US$ 25 mil, por exemplo, pode durar desde uma regata a seis meses, de acordo com as condições de vento. O Handycam possui 14 velas, com custo total de US$ 150 mil.
       
       Com a parceria, o Handycam se consolidou como um barco vencedor dentro das raias e também fora delas, como ferramenta de marketing eficiente e diferenciada. Estes bons resultados, tanto os competitivos quanto os de buziness, só são possíveis com a sinergia entre patrocinador e equipe. E nós temos uma equipe, dentro e fora do barco, que sabe muito bem trabalhar em conjunto, conta o velejador.
       
       Para qualquer empreitada, não há sucesso sem paixão. E velejar é, acima de tudo, uma paixão. Praticar vela é, também, estar inserido num espírito de equipe. Para estes homens, empresários e velejadores, dedicar suas preciosas horas a uma atividade tem de ser com competitividade e desafio. Isso vale tanto para o escritório quanto para o mar.
       
       Fonte: Regattanews / www.boia1.com.br
       Foto: Divulgação




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