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Oliveira: abrimos as portas para a vela feminina
Fernanda Oliveira e Isabel Swan esperam que a primeira medalha olímpica que conquistaram para a vela feminina brasileira na história sirva para abrir as portas da modalidade às mulheres num mundo até então tão masculino. Eu e a Bel fomos muito felizes e espero, sinceramente, que isso motive outras meninas. A vela já tinha uma história de tradição nos esportes olímpicos, como a maior vencedora dentre todas as modalidades, por causa das medalhas dos homens. Agora mostramos que as mulheres também podem, resumiu a gaúcha Fernanda, no desembarque em São Paulo, antes de viajar para Porto Alegre onde seria homenageada no Clube dos Jangadeiros, local em que aprendeu a velejar.
A fluminense Isabel seguiu para sua casa em Niterói – amanhã as duas voltam a se encontrar no Rio para uma série de compromissos. Isabel também falou da importância da conquista para a vela feminina. Mudou a sensação de que é impossível. Conseguimos quebrar esse tabu. Planejamos uma campanha, investimos e conseguimos colocar em prática tudo aquilo que tínhamos pensado. Ainda fechamos com chave de ouro, ganhando a Regata da Medalha, avaliou Isabel. Fernanda acrescentou que a dupla só melhorou a cada dia de competição, chegando, inclusive, na frente das italianas, atuais campeões mundiais numa raia indomável, como a de Qingdao, onde os ventos rondam (mudam de direção) o tempo todo.
Fernanda e Isabel concordam que não só para a vela, mas também em outros esportes, esses foram os Jogos Olímpicos das mulheres brasileiras. Citaram as medalhas ganhas pelo vôlei feminino, Natalia Falavigna, no tae kwon do, Maurren Maggi, no salto em distância e Katleyn Quadros, no judô. Não é nada fácil ser atleta olímpica, não é para qualquer uma, observou Isabel, que teve de abrir mão de várias coisas de sua vida pessoal. Mudou para Porto Alegre, para treinar com Fernanda no Rio Guaíba. Mas chegar a uma medalha é muito bom, compensa tudo, garantiu.
As mulheres estão brilhando, acrescentou Fernanda. A vela tem seu valor como esporte olímpico e a medalha ajudou a justificar todas as nossas solicitações em termos dos recursos que são necessários para se fazer uma boa campanha olímpica.
Agora Fernanda vai preparar o seu casamento, que será em novembro, e Isabel terminar o curso de cinema na Faculdade de Comunicação Social. A fluminense quer, inclusive, usar os seus conhecimentos para transformar em documentário as 60 horas de gravação que tem dessa campanha olímpica.
Isabel disse que voltou motivada a tentar mais uma campanha olímpica na classe 470. Eu faria outra campanha, mas ainda não conversamos sério sobre isso, afirmou. Fernanda alertou que não conta só a vontade. É preciso avaliar várias questões. Se as duas estão com 100% de vontade, se teremos recursos para fazer outra campanha séria. Temos de encarar a vela como algo profissional, como trabalho. Fernanda acha que essa é uma decisão para o começo de 2009, a tempo de preparar, se for a opção, um novo ciclo olímpico para Londres/2012.
Fonte: Local da Comunicação / www.boia1.com.br Foto: Divulgação